"Lágrimas Salgadas"
Há muitos anos, num planeta distante, nasceram dois bebés. Um menino, a quem foi dado o nome de Mar, e uma menina, a quem foi dado o nome de Lua.
Estes dois meninos faziam parte de duas tribos separadas por uma vasta extensão de água doce. Estas duas tribos, não se entendiam porque todos queriam uma ilha que tinha no centro um monte de gelo e tudo o resto à volta era normal e rodeado por uma selva paradisíaca. Uma ilha que quase parecia meia bola.
Bom, o tempo foi passando e um belo dia, cada um dos meninos decidiu pegar na sua canoa e ir sorrateiramente à ilha. Ambos se encontraram numa pequena enseada, e no preciso momento em que as suas canoas tocaram a ilha, começou uma grande amizade.
Falaram e conheceram-se, e aos poucos este foi sendo o local das suas brincadeiras e de aventuras no gelo, onde escorregavam e se divertiam a fazer bonecos de neve.
Anos mais tarde, a amizade tornou-se amor e revelaram aos seus pais, o segredo tão bem guardado… mas este segredo levou à guerra. Os dois enamorados opuseram-se à guerra, explicando que o amor é mais forte do que tudo e que a ilha também deveria ser de todos.
As tribos não se entendiam e começaram os preparativos para se atacarem uma à outra.
Mar, que já estava cansado de combates e só queria estar com Lua, decidiu ir buscá-la e irem para a ilha sozinhos. A tribo de Lua, apercebeu-se da sua presença e perseguiu-o, apesar dos apelos de Lua. À beira da água límpida e doce, Mar foi mortalmente ferido. Lua abraçou-o com amor nos seus braços, mas a sua tribo encurtou a sua despedida, tirando-o dos seus braços e empurrando-o para a água, onde o seu corpo desapareceu.
Ela chorava sentida e com uma raiva esmagadora, a perda do seu amado, enquanto o barulho dos tambores se ouvia. A noite seria a predileta para a guerra, e de manhã, aos primeiros raios de sol, cantariam nas suas canoas, os vitoriosos.
As canoas posicionaram-se para o mortífero combate, enquanto Lua conseguia fugir em direção à ilha. Chegada à ilha, ela correu, correu, e subiu até ao cume daquele monte de gelo, onde os dois tinham sido tão felizes… cansada, magoada e rodeada de raiva, chorou num pranto triste, a morte do seu amado e as suas lágrimas criaram um pequeno fio de água que descia o monte de gelo em direção à enseada onde se tinham conhecido a primeira vez.
O seu choro levantou o vento, agitando as águas, outrora calmas. As duas tribos pararam a meio daquela grande extensão de água doce, agarrando-se às suas canoas, a ouvirem o triste choro da perda.
Esgotada pela dor, Lua num último fôlego, prometeu que iriam estar sempre a olhar um para o outro… e faleceu naquele monte de gelo frio, onde os seus corações tinham aquecido.
Chegava também à enseada, aquele fio de lágrimas de dor e amor que ao entrar em mistura com a água doce, a transformou em salgada. Enquanto isso, como que por magia, a ilha começou a deslocar-se em direção ao céu, bem lá no alto, onde ainda hoje se encontra…
Há noites em que a Lua parece tocar suavemente o Mar que com as suas ondas suaves reflete o brilho da Lua.
António de Jesus Almeida
27-2-13
No orvalho da manhã, pequena e fechada, balança na brisa, embalada pelos raios de sol que correm a passar por entre os pinheiros a ver quem a acorda primeiro.
Lentamente as suas pétalas espreguiçam-se com a suavidade do calor dos
raios de sol, dando com um sorriso, os bons dias a esta sinfonia matinal.
A meio da manhã, o seu perfume espalha-se no ar, convidando as abelhas,
pequenas e em grande azáfama, a provarem o seu mel e a sua doçura.
No pico do meio-dia, o sol bronzeia as suas pétalas, enquanto retira do
solo um pouco de frescura que espalha ao longo do seu corpo.
Já a meio da tarde, o seu odor é mais intenso e apurado, e os grilos
cantam para ela, enquanto ela se delicia a bailar com as ervas verdes.
Chega por fim o anoitecer, e ela já cansada, adormece, fechando as suas
pétalas, iluminadas pelos pirilampos e coberta pela morna manta de uma tarde
soalheira de Primavera.
Dorme tranquila esta mulher, acompanhada pelas estrelas que cintilam,
segura em mim, segura neste meu coração que é um jardim sem fim.
António de Jesus Almeida
1-3-2013
"Mulher"
Mulher, tu és uma
flor nascida do ventre doutra com tuas pétalas suaves como seda.
Mulher, tu és um
sol que ilumina o caminho e encurtas a distância a percorrer.
Mulher, tu és a
água fresca que sacia a sede com tuas lágrimas como duas gotas de orvalho.
Sem ti a vida não
teria sentido!
Sem ti o amor não
teria existido!
Mulher, tu és um
livro que acalma a agitação das ondas e sossegas a alma.
Mulher, tu és uma
força viva que embeleza a vida de qualquer pessoa.
Na tristeza e na
felicidade, no amor e na dor, tu és simplesmente a mulher sempre presente.
António de Jesus Almeida
1-3-2013
“A Vida Por Entre Os Dedos”
Não deixes a vida escapar
Por entre os teus dedos
Que seguram os medos
No mais pequeno olhar.
Que seguram os medos
No mais pequeno olhar.
No caminho a percorrer da vida
Terás traçado a tua corrida
Para que o destino a percorrer
Não se possa em vão perder.
Por entre as linhas da mão
Percorro as vinhas duma lição
Para que encontre o prazer
Duma alma preenchida de viver.
António de Jesus Almeida
23-5-07
Para os amigos se lembrarem nem que seja de vez em quando que a amizade é um bem precioso.
“OS AMIGOS”
Nada há mais belo do que ter amizade,
Pois no cais do coração há a verdade…
Um lugar onde estão os amigos
Que nos protegem dos perigos.
Divulgar um amigo que nos dá a mão
Quando as nossas preces já não dão,
E na simplicidade de um pensamento,
Guarda-se a idade daquele momento.
Todos os amigos preenchem-nos de vida,
Caminhando connosco numa estrada perdida.
Saber dar o valor à beleza dum amigo,
Pois até ao fim, ele fica sempre comigo.
“A todos os meus amigos que estão
sempre no pensamento do meu coração”
António Jesus Q. R. Almeida
19-02-04
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixe uma mensagem. Leave a message.